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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

10 COISAS QUE O BRASIL FAZ MELHOR QUE O JAPÃO!



Olá pessoal,

Estava vendo um vídeo do canal Amigo Gringo em que ele listava coisas que o Brasil faz melhor que os Estados Unidos. Sei muito bem que temos (me incluo nele) aquele “complexo de vira lata” no qual achamos que o Brasil é o pior país do mundo, que tudo é uma porcaria, que nada funciona direito, que a corrupção avassala o país, que os políticos são verdadeiros ladrões. Sei de tudo isso e concordo até certo ponto, mas morando fora há quase 6 anos, posso dizer com certeza que sim, o Brasil tem seus defeitos mas também tem muitas qualidades, como qualquer outro país do mundo. Quando você mora fora, nos primeiros meses e anos, compara tudo com seu país de origem e lógico acha tudo infinitamente melhor. Mas, passada a euforia da chegada e algum tempo depois, quando você se vê não mais como um “turista” e sim como um residente, passa a observar mais profundamente, com um olhar mais crítico. Daí percebe como a vida acontece naquele país que apesar de ser de primeiro mundo, também tem seus problemas.

Então, pensando nesse aspecto, comparei e listei 10 coisas que o Brasil faz melhor que o Japão. Já estou prevendo muito “mimimi”, mas é minha opinião. Se você não concordar com o que leu e quiser deixar um comentário CONSTRUTIVO, seja bem vindo. Vamos lá:

1 – Sistema de saúde

O sistema de saúde aqui funciona da seguinte maneira: o cidadão pode optar pelo seguro saúde oferecido pela prefeitura da cidade (o valor é calculado conforme seus ganhos anuais) ou entrar no seguro que é oferecido pela empresa onde trabalha (a empresa paga uma porcentagem que é calculado conforme seus ganhos e o funcionário arca com a outra metade). Daí, quando você for utilizar terá que desembolsar no momento da consulta mais 30% desde os honorários do médico, remédios e tudo mais que foi utilizado (ou seja, se não tiver dinheiro no dia não pode ficar doente rs). Acho um valor bem alto para a atual realidade dos salários do Japão, principalmente para quem não usa muito. E também porque esse plano não cobre certas ocorrências como gravidez e câncer. Sem falar que (isso é minha opinião que fique bem claro), acho os médicos japoneses bem despreparados, com idéias atrasadas e muitos sabem lidar com estrangeiros (como se fôssemos diferentes). É por essa e outros que quando algo mais grave acontece corro para meu amado Brasil. Sim, nossos dentistas e médicos são muitos melhores. Ah ... e antes que comecem a criticar que estou comparando com os planos particulares no Brasil, aqui não tem atendimento gratuito não ... e muito menos remédios grátis.

2 – Máquinas para verificarem preços em supermercados

No Japão tudo funciona muito bem, é verdade. Todos os produtos nos supermercados têm seu respectivo preço na prateleira, mas às vezes acontece de achar um produto fora do seu devido lugar e você querer levá-lo, ou simplesmente está sem o preço na prateleira e é nessas horas que sinto muita saudade daquelas máquinas de consulta que temos nos mercados brasileiros. Porque se não sei o valor e nem o local correto do produto, terei que perguntar para a atendente que apesar de muito simpática vai levar pelo menos uns 10 minutos para voltar e quase sempre sem a resposta certa.

3 – Fila exclusiva e caixa rápido

Dificilmente verá filas no Japão! Aliás, até esquece que elas existem e quando volta ao Brasil, leva um susto. Na mentalidade e hierarquia japonesa, você como cliente não pode perder um minuto do seu tempo esperando. Mas, elas ainda não estão extintas e quando freqüento supermercados muito grandes, elas são inevitáveis. Tem alguns caixas que nós mesmos passamos e empacotamos nossas compras, mas não são todos que querem ou sabem lidar com a tecnologia. E nessas horas penso que sim, deveria ter um caixa para uma quantidade de volumes menores, como no Brasil, e um caixa preferencial para gestantes.

4 – Frutas, verduras e legumes

Certamente é o que mais sinto falta da variedade de frutas, verduras e legumes. Aqui além das frutas serem caras, são sazonais. Existem poucos tipos de verduras e legumes e quando o inverno chega, eles praticamente desaparecem das prateleiras. Nossa, não imagina minha felicidade em ver um morango, uma melancia ou quando avisto uma couve-flor!

5 - Televisão

Além de ter a barreira do idioma, acho a televisão japonesa um pouco “infantil” e até um certo ponto censurada. É como se eles recebessem um “script” com todas as noticias “polêmicas” que deverão ser veiculadas. E durante o dia, os noticiários repetirão as mesmas reportagens. E pra mim, quando o assunto é grave, como a radiação de Fukushima, por exemplo, eles abafam e não falam abertamente sobre o assunto. E outra coisa chata, tem muita comida kkk. Você liga a televisão às 5 horas da manhã e os apresentadores já estão comendo. 



Previsão do tempo de todas as manhãs. Fofo, né! Mas tem hora que exageram nas fofurices


6 – Legislação do Trabalho

Pra mim, esse tópico juntamente com o tópico do sistema de saúde, é o que mais me irrita. Certamente o Brasil está a anos luz nesse quesito. Apesar de ser um país de primeiro mundo, ainda tem muita coisa errada, uma sociedade presa à pensamentos antigos e que aparentemente não quer mudar. Nesse cenário, uma legislação que rege os trabalhadores é praticamente inexistente. Vamos ver agora, depois de muitas mortes por excesso de trabalho e com a baixa taxa de natalidade, o primeiro ministro japonês está tentando mexer na legislação para tentar beneficiar o trabalhador. 

7 – Jeitinho Brasileiro

Os japoneses sabem muito bem o que fazer para atingir o sucesso em qualquer atividade. Sempre muito dedicados, organizados, metódicos e precisos, mas e se algo não acontece como o planejado? Na hora do aperto, eles não sabem como lidar com aquela situação inesperada, e só nós, com nosso jeitinho brasileiro, sabemos resolver.

8 – Produtos de higiene pessoal

Eu sou a louca dos produtos de higiene pessoal brasileiros!!! Tenho estoque em casa! Os produtos do Brasil como pasta de dentes, sabonetes em barra, desodorantes (que aqui são caríssimos e não seguram nada) e higiene intima são infinitamente melhores que os daqui. 

9 – Lâminas do Mc Donalds

Quantas vezes almoçava no McDonalds e ficava lá, rindo sozinha, com aquele papel que colocam na bandeja. Sempre engraçados e criativos! Agora, no Japão, a lâmina sempre informa sobre processos seletivos e convida jovens para trabalharem na rede. Sabemos que o país sofre com a falta de mão de obra, então essa é uma forma de propaganda também.




10 - Lançamento de filmes

Por que Deus os filmes demoram tanto para chegar aqui? Às vezes, já até saiu de cartaz no Brasil e está sendo lançado aqui. Sem falar que a maioria dos filmes no cinema são sempre de produção nacional, e apenas alguns são do exterior.



Esses foram os meus tópicos. E você que morou ou visitou o Japão, concorda comigo? Deixe nos comentários.

Até mais,
Thais Fioruci




sexta-feira, 24 de julho de 2015

IMPRESSÕES – MEU PRIMEIRO RETORNO AO BRASIL



Olá pessoal,

Estou muito feliz de poder escrever novamente no blog. Primeiro, quero me desculpar pelo sumiço. Quem me acompanha pelas redes sociais, já sabe o que aconteceu. O fato é que não estava me sentindo muito bem, então resolvi tirar uma mini férias no Brasil e assim fazer um check-up completo da minha saúde.

Hoje, venho contar as minhas impressões durante meu primeiro retorno ao Brasil após quase 4 anos vivendo no Japão. Confesso, no primeiro momento é estranho ouvir todo mundo falando português e é horrível sentir-se uma estrangeira dentro do seu próprio país. É como você estivesse pisando ali pela primeira vez.

Vamos então à minha mini lista de tudo que estranhei em terras brasileiras:

1 – Entrar em casa com os sapatos usados na rua. Como eu sofria com isso. Depois que você se acostuma no Japão à tirar os sapatos, percebe o quanto isso é higiênico e conserva a casa limpa.

2 – Jogar o papel higiênico na lixeira. Isso é horrível! Pra que deixar aqueles papéis sujos na lixeira? E depois ter que tirar o lixo. Que desagradável!

3 – Greve. Para quem não sabe, moro em São Bernardo do Campo-SP e justamente nessa época os servidores públicos resolveram fazer greve. Quem conhece essa cidade, sabe que o Paço Municipal liga praticamente todas as vias de transportes da região. Toda vez que tem paralisação lá, para onde você acha que os grevistas vão? Para o paço, é claro. Nossa .... como isso me irritava. Marcava consultas pela manhã, ficava cerca de duas horas parada no trânsito devido às manifestações e acabava tendo que remarcar. Ficava muito p... com isso. Greves são praticamente inexistentes no Japão, mas, já cheguei a presenciar uma. Os funcionários da linha ferroviária decidiram parar as atividades porque estavam reivindicando um aumento de 100 ienes (cerca de R$ 2,00) no salário. A paralisação começou às 05:45 da manhã e terminou exatamente às 06:00. Afinal, eles sabem que muitos trabalhadores dependem de trens para chegar ao trabalho e que eles não podem prejudicar quem utiliza o meio de transporte. E se você chegar atrasado por causa desse 15 minutos de paralisação? O guichê da estação emite um papel explicando o ocorrido.

4 – A senhora tem trocado? Já tinha me esquecido desse detalhe e como isso me irritava. Percebi que o dinheiro em espécie no Brasil está em extinção e que os operadores de caixa tem que “se virar” para conseguir cédulas. Aqui você nunca ouvirá isso, mesmo se for comprar uma bala e pagar com uma nota de 10 mil ienes.

5 – O descuido com o dinheiro. As cédulas estão sujas, rasgadas e pixadas. Sentia nojo ao pegar! Como reduziram o tamanho do nosso “real”, o que não gostei, fica aquela bagunça na carteira.

6 – Temos wi-fi “para inglês ver”. A maioria dos lugares está equipada com wi-fi, até mesmo nos ônibus. Isso me impressionou muito, mas, com o passar dos dias percebi que muitos não funcionavam e o sinal era ruim. Em alguns lugares como o Shopping Aricanduva, o sinal era restrito apenas à um local determinado.

7 – Péssimo atendimento e a falta de educação do povo. Acredito que muitos me criticarão, mas quem já veio ao Japão sabe que o atendimento e a cortesia são impecáveis. Foi realmente um choque, pois já não lembrava mais de como era ter que brigar para ter os meus direitos de cliente válidos.

8 – Ser roubado a todo instante. Mew, todo mundo sabe que não existem mais moedas de R$ 0,01 centavo e por que os comércios insistem em colocar preços quebrados nos produtos?  

Imagem retirada de http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-680628657-moeda-de-1-centavo-real-1996-rara-_JM


9 – Transporte precário e asfalto péssimo. Deveria ter um programa do governo assim: “A cada dez corridas de ônibus, ganhe uma consulta com o ortopedista.”. Não dá .... balança muito, motoristas loucos que não respeitam seus passageiros e o asfalto sempre com crateras.

10 – Burocracia para resolver tudo. Sempre dão um jeitinho de complicar sua vida. Até mesmo para tirar um simples documento no cartório, tem que fazer um pedido formal, digitado, assinado, reconhecido firma, autenticado .... ufa!

11 – Trânsito. Achei o trânsito uma loucura e os motoristas já não respeitam mais as leis. É na base do salve-se quem puder.


Estação da Luz à espera de um trem


12 – Mas nem só de pontos negativos vive o Brasil. Não posso negar que estava morrendo de saudades da comida farta, da variedade de frutas e de encontrar culinária do mundo todo em uma só cidade. Comi e comi muito bem! Meus ligeiros quilinhos, que ganhei com muito orgulho, não me deixam mentir. 



Comida farta e bons restaurantes


13 – Todo mundo ligado nos celulares, tablets, mesmo as operadoras cobrando altos preços.

14 – Barulho. No trânsito, dentro do ônibus, no metro ....

15 – Senti falta dos relógios. No Japão, qualquer lugar que você olhe, sempre tem um relógio por perto. Coisas de japoneses que sempre chegam no horário marcado aos compromissos. No Brasil, quando esqueci o relógio de pulso e o celular em casa, não encontrava um!

É triste após tanto tempo fora, ver que pouca coisa mudou. Claro que sinto falta de muitas coisas, como estar em uma fila entediante e puxar uma conversa com a pessoa ao lado, falar com a operadora de caixa sobre qualquer assunto, demonstrar afeto em público sem ninguém ficar te olhando. Esse tipo de coisa não vemos no Japão. Mas, depois de 3 meses por lá, já estressada com a falta de respeito ao próximo e com os outros problemas sociais que acomete o Brasil, lembrei-me dos motivos que me fizeram sair de lá. E novamente, ao desembarcar pela terceira vez no aeroporto de Narita, sinto todas as emoções que senti logo que pisei aqui.

Japão, estou de volta! 

Abraços,
Thais Fioruci