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terça-feira, 28 de novembro de 2017

NÃO PASSE FRIO NO JAPÃO – DICAS VALIOSAS PARA VENCER O INVERNO JAPONÊS

>> ATENÇÃO!!! Post com muitas fotos =)


Olá viajante!

Como você está? Espero que esteja bem!

As temperaturas já estão despencando por aqui! Os japoneses (e eu também) já iniciaram os preparativos para superar mais um longo inverno que vem pela frente. Roupas pesadas, chás, sopas, aquecedores, querosene (para abastecer o aquecedor) e muitos produtos que aliviam o ressecamento da pele. Pensando naqueles que virão ao Japão nos meses de inverno (as temperaturas baixas começam no final de novembro e permanecem até março), listarei algumas dicas para que o frio não atrapalhe sua viagem. Espero que goste!

>>> USE ROUPAS APROPRIADAS

Ter as vestimentas certas para o inverno do Japão faz toda a diferença. A maioria das roupas de frio do Brasil não protege das baixas temperaturas daqui. Se você tiver um casaco bem pesado, traga-o, caso não tenha, sugiro investir em um por aqui mesmo. Uma dica é comprar blusas de manga longa com a tecnologia Heattech na Uniqlo para utilizar por debaixo dos casacos.


Valor aproximado ¥1500 


>>> PROTEJA AS INTERLIGAÇÕES DO CORPO

Costuma ventar muito por aqui e no inverno não seria diferente. É um vento tão gelado que se deixar qualquer espacinho no seu corpo descoberto, o vento vai penetrar e gelar até sua alma. Por isso, os japoneses costumam cobrir bem as interligações do corpo como pescoço, tornozelos e barriga (geralmente nas interligações entre uma peça de roupa e outra). Use e abuse de cachecóis, luvas, gorros, toucas, pescoceiras, mijão (aquela calça que os homens usam por baixo), polainas (descobri aqui a verdadeira utilidade disso) e protetores de orelhas.




Essa peça de roupa da foto ao lado é uma espécie de cinta, acho que posso denominá-la assim, que as japonesas usam na barriga para evitar que o vento penetre na interligação entre a blusa e a calça. Vende na Uniqlo e o preço é ¥790.








>>> COMPRE MUITOS “KAIROS”

Não sei se isso existe apenas aqui ou tem em outros países também. O fato é que em janeiro e fevereiro, o frio, principalmente para quem nunca saiu do Brasil, é congelante. Dependendo da região, é impossível ficar na área externa. E quando seu corpo já está quase congelado, o “kairo” sempre está ali para te salvar. É esse saquinho que quando aberto, entra em contato com o ar e como num passe de mágica, ele produz calor. Existem diversos tipos: para colar sobre a roupa, para usar no interior dos sapatos, nas meias, para colocar nos bolsos e aquecer as mãos. Facilmente encontrado nas farmácias nessa época, são bem baratos e vale muito a pena ter uma coleção deles.






>>> CONSUMA BEBIDAS QUENTES

O visitante encontrará facilmente bebidas quentes nas máquinas de venda automáticas espalhadas pelo país, assim como em lojas de conveniência e supermercados. No nosso canal do Youtube, fizemos um vídeo para sugerir bebidas que aliviam a dor de garganta, sintoma comum no inverno devido ao vento gelado. Confira lá e não esqueça de se inscrever. 




>>> CARREGUE CONSIGO UM PROTETOR LABIAL

Eles estão aos montes nas prateleiras das farmácias e supermercados. É muito importante ter um com você e sempre utilizá-lo. Beba também bastante liquido!




>>> USE CREMES, MUITOS CREMES.

Como nessa época do ano passamos a maior parte do tempo exposto aos aquecedores dos lugares, nossa pele resseca muito. Não se assuste caso veja mãos de vendedores em lojas carregada de cortes e feridas. Por isso, utilize muitos cremes para o corpo, mãos e pés. No vídeo, damos mais dicas de produtos bons que usamos no nosso dia a dia. Confira aqui.



Produto para cicatrizar cortes nas mãos


>>> USE MÁSCARA

Sei que para nós, o fato dos japoneses usarem máscaras no seu dia a dia, pode parecer estranho. O verdadeiro motivo é para não transmitir e nem pegar resfriados no inverno, mas muitas pessoas (e eu me incluo também), a utiliza apenas para proteger o rosto do vento gelado. Funciona! Experimente e depois me conte nos comentários!


>>> COMPRE PALMILHAS QUENTINHAS!

Sim, palmilhas para deixar seu calçado mais quentinho. Vendido nas lojas de 100 ienes.




>>> CONSUMA ALIMENTOS QUENTES

Nessa época os restaurantes colocam no cardápio opções de pratos bem quentes para suportarmos o frio. Lámen, oden, udon, kare (curry), sukiyaki são apenas algumas das várias opções na culinária japonesa.


>>> COMPRE PRODUTOS ESTRANHOS QUE SÓ VEMOS NO JAPÃO

Muitos japoneses sofrem de um problema chamado “katakori” que é a rigidez na área dos ombros e pescoço. No inverno, os músculos tendem a se contrair mais devido às baixas temperaturas, piorando as dores. A maioria costuma frequentar os “onsens” (águas termais), faz banhos de imersão no ofuro (banheira) e utiliza produtos para esquentar essa região. Provavelmente você, turista, não sofrerá de "katakori", mas nada o impede de comprar esses itens que também para utilizar para outras finalidades. 




Bem, o post já ficou imenso. Espero que tenha aproveitado as dicas e confira o vídeo especial que fizemos mostrando os produtos que usamos no nosso dia a dia durante o inverno. Ficou com dúvidas? Mande um email para perdidanojapao@hotmail.com

Obrigada por ler,

Abraços

Thais Fioruci






quinta-feira, 19 de outubro de 2017

DINHEIRO NO JAPÃO – COMO É E QUANTO LEVAR?

Olá turistas!

Vamos para mais um post para ajudar quem pretende visitar o Japão e também, por que não dizer, qualquer outro país do mundo.

Quando vamos visitar um país, durante seu planejamento de viagem, um dos principais tópicos a ser discutido é sobre o dinheiro. Antes de mais nada, é preciso saber qual a moeda utilizada no local onde irá visitar. Então, outras perguntas surgirão: como levá-lo (comprar em uma casa de câmbio no Brasil já em moeda local, comprar em dólares e trocar assim que chegar no país de destino ou levar em reais e trocar por lá mesmo), se virar no cartão de crédito ou adquirir aqueles cartões de crédito pré-pago próprio para viagens. Claro, que antes de decidir temos que levar em consideração dois aspectos: segurança e qual a opção mais vantajosa.

Se está começando o planejamento de sua viagem para o Japão, já anota ai: a moeda oficial utilizada na terra do sol nascente é o yen ou em português iene.

As cédulas estão divididas nos seguintes valores: 1,000, 2,000 (nota muito rara, portanto se tiver a sorte de encontrá-la, guarde-a com você), 5,000 e 10,000 ienes. E as moedas nos seguintes valores: 1, 5 (ela tem um furo no centro), 10, 50 (também é furada), 100 e 500 (moeda de maior valor). Convertendo para o real, 1000 ienes equivale à aproximadamente R$30,00.


Cédulas e moedas utilizadas no Japão

Agora, uma dica importantíssima, por mais que pretenda utilizar o cartão de crédito, tenha sempre dinheiro em espécie. Claro, muito lugares hoje em dia já aceitam cartão de crédito, mas a sociedade japonesa preza muito pelo dinheiro portanto, o costume de pagar com notas e moedas (algo já quase extinto em países desenvolvidos) é ainda a forma preferida por aqui. Repare como o dinheiro é bem cuidado. As pessoas nem sequer dobram as notas, tanto que todos utilizam carteiras enormes para colocá-las abertas. Muitas das moedas são super antigas e ainda circulam em ótimo estado de conservação.

Então, não se esqueça, tenha dinheiro consigo e guarde as moedas! Em alguns lugares como armários só são aceitas moedas (às vezes encontrará uma máquina para trocar a nota por moedas). E não se preocupe, se tiver apenas uma nota de valor alto para pagar um produto barato, aqui eles não reclamam e nem sequer fazem cara feia.

Uma alternativa, caso não queira ficar andando com muitas notas (não se preocupe com relação à roubos), é carregar seu cartão Pasmo/Suica (cartões para pagar as tarifas de trem/ônibus. Saiba mais clicando aqui) com uma certa quantia para fazer pagamentos em lojas de conveniência, máquinas de venda automática, restaurantes, etc.

Dificilmente os japoneses devolvem troco errado, assim como, se você der dinheiro a mais, logo te informarão. São sempre muito honestos.

Ah ... e já que estamos falando sobre dinheiro, que tal dar um passadinha no post que escrevi sobre o Museu da Moeda japonesa em Tokyo. Clique aqui para ler e se julgar interessante, pode colocar no seu roteiro pela capital japonesa. 

Quanto trazer?

Dúvida cruel, não é mesmo? Calcular um valor diário depende muito do perfil de cada viajante. Mas, se você é do tipo de pessoa que não faz questão de muito luxo, já pagou a acomodação e está com seu JR Pass em mãos, calculo uns ¥10.000 ienes por dia para suprir gastos diários com transporte (quando for utilizar linhas não pertencentes à JR, deve pagar a tarifa excedente), alimentação e entrada de algumas atrações. Claro, que se for à parques como a Disney ou a Universal, onde a entrada custa aproximadamente ¥7000 ienes, deve ser calculado à parte desse valor. Também, reserve um valor extra para as compras. 

Não se esqueça que a capital japonesa é uma das mais caras do mundo e a tentação em artigos fofos (impossível não pirar com as coisas daqui) é muito grande, portanto, traga dinheiro e se possível uma malas vazia =).  

Bem, espero ter ajudado de alguma forma. Ficou com alguma dúvida? Mande email para perdidanojapao@hotmail.com ou entre em contato comigo pelas redes sociais abaixo.

Canal do Marido no Youtube: www.youtube.com/naterradosushi
Twitter Sakano: www.twitter.com/sakanosan



 Bye bye
Thais Fioruci






sábado, 9 de setembro de 2017

10 CENAS COMUNS EM UM COTIDIANO NO JAPÃO

Olá querido leitor!

Hoje acordei, abri a janela de minha sacada e vi um lindo sábado de sol com temperatura por volta dos 25 graus. Seria um ótimo dia para passear, não é mesmo? Mas, a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi: “Oba, vou colocar meu futon na janela”. Você não deve estar entendendo nada, mas hoje o post é sobre 10 cenas comuns no meu dia a dia no Japão.

1. Sobrenome da família na porta de entrada

No portão da frente de todas as casas fica uma placa com o sobrenome da família. Até mesmo nos apartamentos existe uma identificação ao lado da porta. Acredito que seja um costume antigo que os japoneses conservam até hoje. Ultimamente tenho reparado em placas cada vez mais modernas. A maioria ainda utiliza a escrita em kanjis mas muitos agora adotam também o alfabeto romano.




2. Alto falantes nas ruas

Sim, existem alto falantes por toda a cidade. Chamados de “Bosai Musen”, neles são transmitidos avisos importantes como alertas de terremoto e míssil (como foi o caso da semana passada), tufões, ventos fortes e nevasca. Todos os dias por volta das 16h30min no inverno e 17h30min no verão emitem uma mensagem avisando para as crianças retornarem para suas casas. E também, o mais triste de todos, aqui na minha cidade pelo menos, diariamente às 17h no inverno e 18h no verão toca uma musiquinha avisando que o dia acabou (lembra o final do Fantástico no domingo rs). Muitos acreditam nessa teoria, mas na verdade é uma forma de verificar se todo o sistema está funcionando corretamente.

3. Y nas placas dos automóveis

É fato que todas as placas de automóveis no Japão levam uma letra em hiragana e uma sequência de números. Mas, por que algumas placas levam a letra “Y” em alfabeto romano? As placas que iniciam com a letra “Y” identificam que aquele veículo pertence à um condutor americano. Para quem não sabe, moro próximo de uma base militar americana e por isso é comum vê-los transitando por aqui.




4. Música avisando que o estabelecimento fechará

Como a organização faz parte do nosso dia a dia por aqui, uns 10 minutos antes de fechar qualquer estabelecimento, é tocado uma música padrão para avisar os clientes. E como pontualidade é uma marca japonesa, nada de se atrasar, ou seja, lendo nas entrelinhas, apresse-se.

5. Placas avisando sobre tarados

Sim, é muito comum ver essas placas alertando sobre tarados principalmente perto de bosques e de estações de trem. Ainda acho estranho, mas infelizmente existem muitos casos.




6.  Garçom leva a conta na mesa

Os japoneses têm um cuidado imenso com o cliente. Quando vamos à um restaurante, assim que o garçom leva o pedido à mesa, ele já deixa a conta com o valor total à ser pago. Mas, como fazer isso conforme à etiqueta japonesa? Repare nos detalhes .... ele sempre deixará a conta virada para baixo (afinal, não é nada digestivo comer olhando para o valor que terá que desembolsar depois) e ao lado da mulher (conforme a cultura japonesa é a mulher que administra o dinheiro da família, sendo assim responsável por pagar as contas. Mas, em muitos restaurantes familiares, por exemplo, existe um local no centro da mesa já reservado para deixar a conta).

7. Futon nas varandas

Uma das cenas mais comuns no Japão. Dia de sol, as mulheres logo correm para estender o futon (a maioria dos japoneses dormem em futons, uma espécie de edredon grosso) na varanda para evitar o mofo.




8. Carimbo na aba do envelope

Olha, o Japão me surpreende. Um país tão tecnológico, mas ao mesmo tempo tão antigo. Eles ainda conservam muitas tradições de milênios passados, confesso que acho lindo, mas por vezes irritantes também. Repare nesse carimbo na aba do envelope, comprovando que ninguém o violou. Via isso somente em filmes antigos.






9. Provador de maquiagem

Os estabelecimentos fazem de tudo para atender bem o cliente por aqui. Pensando nisso, na seção de maquiagens, existem todos esses itens à sua disposição para você se limpar após testar suas amostras. Quantas vezes passamos milhões de cores de batons no braço e depois saímos da loja parecendo um arco-íris kkkk  Agora não mais!




10. Transporte de idosos

Como é importante observar a cultura e o cotidiano das pessoas quando moramos em outro país. Vejo essa cena todos os dias, ao retornar do trabalho, e penso como os países são diferentes. No Brasil, ao final da tarde, é comum ver a movimentação de vans escolares e o som das buzinas na frente das casas avisando aos pais que seus filhos já chegaram. Bem, aqui, em contrapartida, não existe isso já que as crianças vão e voltam sozinhas das escolas. Mas, existe as vans que levam os idosos para sua casa após passar o dia todo em um asilo.




Fico feliz em compartilhar um pouco do meu dia a dia aqui no Japão e dividir com você as cenas tão comuns para mim. Me conte nos comentários o que achou. Concorda? Discorda? Achou estranho? Muita coisa acho legal, assim como, muita coisa discordo também, mas essa é a magia de se morar fora. Ver com seus próprios olhos que nenhum lugar do mundo é perfeito.

Para mais fotos e curiosidades do Japão, nos adicione nas redes sociais >>>

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Abraços,

Thais Fioruci






sábado, 26 de agosto de 2017

COMO FAÇO PARA TRABALHAR NO JAPÃO?

Olá pessoal,

confesso que esse é um assunto que não gostaria de abordar mas, diante da atual situação econômica que o Brasil enfrenta, tanto eu como comunidades de brasileiros morando no Japão, recebemos diariamente perguntas de como vir trabalhar em terras japonesas.

Ao mesmo tempo que me sinto feliz, pois as pessoas estão dispostas a fazer algo para mudar sua situação atual, fico muito preocupada. Pelo que leio, acredito que a grande maioria pensa "quero morar no Japão, só basta comprar a passagem e fazer as malas", e gente não é bem assim, antes de tudo é necessário um visto e que fique bem claro PESSOAS ILEGAIS NÃO ENTRAM NO JAPÃO. O controle é muito grande e já cansei de ouvir casos de pessoas que moram aqui há décadas e por um simples vacilo (esquece de renovar o visto ou está aqui porque é casada/o com um descendente mas o marido/esposa já não mora aqui há anos) e é convidado/a a se retirar em um curto prazo.

Mas, quem pode vir trabalhar no Japão afinal?

- Apenas os descendentes de japoneses até a terceira geração, assim como suas esposas e filhos. Como os filhos de sanseis (terceira geração) serão portanto a quarta geração (yonsei) esses só poderão entrar antes de completarem os 18 anos;

- profissionais que atuam em uma empresa em solo brasileiro e que serão transferidos para uma unidade no Japão;

- Professor, artista, atividades religiosas, jornalista, investidor/gerente de negócios, serviço legal/contador, serviço medico, pesquisador, instrutor, engenheiro, especialista em humanas/serviços internacionais, trabalhos qualificados, entretenimento que desempenharão alguma atividade em solo japonês.

Todos esses itens litados são passiveis de análise pelo Consulado do Japão em sua região e ela portanto decidirá o período que permanecerá por aqui. O período é muito relativo. Um exemplo, meu marido que é descendente logo de primeira conseguiu um visto com duração de 3 anos, eu, obtive apenas visto de um ano, e assim, durante os três primeiros anos, todo ano, tive que renovar. Dizem que é por eu não ser descendente. Não sei. 

E em todos esses casos é necessário apresentar uma carta da empresa que está te contratando, pois ela garantirá sua estadia (conforme os termos do seu contrato de trabalho) e fornecerá o Certificado de Elegibilidade, documento exigido pelo Departamento de Imigração do Japão dizendo que está apto a migrar para o país. 

Muitos já me perguntaram: "Posso ir com visto de turismo, e quando chegar ai, tentar conseguir emprego e depois trocar de visto?". Geralmente respondo, você pode conseguir mas a empresa que for te contratar terá que dar bons motivos para a imigração conceder a mudança de visto. Vi apenas um caso assim e o rapaz trabalhava na área de TI (ou seja, segmento que sofre com falta de profissionais qualificados). Agora, em relação à serviços de fábrica, nunca vi, até porque existem desempregados por aqui.

Ah ... aproveitando para responder outra dúvida que recebo. Pessoas que exercem uma determinada função no Brasil, advogado/a um exemplo, e querem vir ao Japão (são descendentes ou casados com um), mas desejam continuar nesse mesmo trabalho. Serei bem sincera tá .... a não ser que venha transferido de uma empresa já com uma função especifica, mesmo que tenha faculdade, pós enfim .... a realidade aqui é fábrica. Para conseguir validar um diploma é uma luta (a começar pela barreira do idioma). É impossível? Não ... mas terá que batalhar muito. 

Após um tempo de Japão, percebo que muitos brasileiros começam a estudar para fugir das fábricas (sendo bem sincera), e conseguem serviços melhores como tradutores, helper (um campo bem amplo por aqui), atendentes de lojas ou tornam-se comerciantes. 

Agora, uma última dica: antes de falar EU QUERO TRABALHAR NO JAPÃO, pesquise muito, veja como é a metodologia de trabalho, como acontece a dinâmica, os horários, o calendário. Se pergunte.... será que estou disposto à isso? Será que suporto fisicamente, sabendo que 99,9% dos trabalhos são manuais? Será que terei problemas com o clima e as temperaturas? Analise a proposta (caso for descendente e virá por agência) e tome muito cuidado para não cair em um golpe. 

Pergunte a si mesmo, pois a realidade aqui é bem diferente do Brasil. E não pense, que só por ser um país de primeiro mundo que tudo é mil maravilhas e funciona corretamente.


Uma tipica fábrica no Japão


Bem, desculpe o desabafo mas é porque realmente fico preocupada. Essas são apenas considerações do que vi e vivi nos anos que moro no Japão. Pense bem antes de tomar essa difícil decisão e boa sorte.

Espero ter ajudado.

Abs
Thais Fioruci 








sábado, 17 de junho de 2017

SUPERSTIÇÕES JAPONESAS



Olá queridos leitores,

Saudades de vocês, afinal faz um tempinho que não posto. Sabe como é vida de Japão, muito trabalho e pouco tempo (e ânimo) para cuidar de outros afazeres.

Após quase 6 anos morando aqui, acabo percebendo certas superstições curiosas na sociedade japonesa. Afinal, toda cultura tem suas crendices populares e com os japoneses não seria diferente, não é mesmo. Sabe aqueles alertas de perigo que sua mãe ou sua vó sempre diziam: ”quebrar espelho traz sete anos de azar” ou “não varre o pé se não você não se casa, menina!” . Essas são apenas duas das muitas crenças existentes no Brasil, mas, e no Japão?

Os japoneses levam muito à sério esse lance de superstição e em muito lugares é notável isso, a ponto de serem feitas alterações, no mínimo estranhas e curiosas, para evitar um possível azar ou má sorte na vida deles.

Então, vamos lá. E se estiver pensando em vir ao Japão fique atento à essas dicas:

1. Espetar os “hashis” na tigela de arroz

Essa é muito importante para não fazer feio na hora de comer aqui. Nunca enfie os hashis na tigela de arroz, sempre os deixe juntos na posição vertical sob o prato ou então utilize o hashioki, um descanso especial para hashis, caso estiver disponível sob a mesa. O motivo? Os hashis só são espetados na tigela de arroz em uma única ocasião: para oferecer arroz aos falecidos durante um velório. 


Exemplos de hashiokis



2. Passar comida do seu hashi para o hashi de outra pessoa

Ainda no assunto hashi, nunca passe comida do seu hashi para o hashi de outra pessoa. Você deve estar de perguntando a razão. Em uma cerimônia de funeral japonês, após a cremação, os parentes utilizam os hashis para passar os ossos do falecido uns para os outros.

3. Matar uma aranha à noite

Os japoneses são muito ligados à natureza. Já percebi que eles evitam ao máximo matar qualquer ser vivo. Gente, não sei como eles vivem, mas quando aparece uma barata em casa, o que os brasileiros fazem? Matam, é óbvio! E olha que aqui tem bicho hein .... e não são baratas e aranhas como as do Brasil. Elas são gigantes. Lembro da primeira vez que me deparei com uma “aracnídea” aqui. Cheguei à noite do trabalho e a bicha tava lá enorme na parede. Diz a lenda japonesa que se matar uma aranha à noite você poderá perder todo o seu dinheiro. O que eu fiz? Liguei para meu marido é claro! No fim, matamos a coitada, mas é como eu digo, antes ela do que eu.

4. Cortar suas unhas à noite

Da série “coisas que os japoneses não fazem à noite”, eles também evitam cortar as unhas, pois dizem que trará má sorte além de não conseguirem estar com seus familiares quando esses morrerem.

5. Números de azar

Tá aqui um item curioso que originou esse post. Os japoneses evitam usar alguns números que segundo eles, carregam uma má sorte.

O primeiro deles é quatro, pois sua pronuncia em japonês (o número 4 em japonês é lido como shi) é a mesma para a palavra morte (shi). Por isso, não o utilizam em estacionamentos, hospitais e prédios por exemplo.  





3,5,6? What? Cadê o 4?


Outro número evitado pelos japoneses principalmente em hospitais e hotéis é o nove, pois em japonês é lido como ku que também significa dor, agonia ou tortura.

Eles também evitam dar omiyages (nossas lembrancinhas) com quatro ou nove unidades/peças. Isso é muito respeitado na cultura japonesa e pode ocasionar uma bela de uma saia justa caso a tradição não seja respeitada.

Outros números:

42 - significa morrer se for pronunciado separadamente (shi-ni).

420 - significa espírito se for pronunciado separadamente (shi-ni- rei).

Por causa dessa superstição, esses números não aparecem em leitos de hospitais.

6. Pisar nas bordas do tatame

Evite pisar nas bordas do tatami, pois segundo a lenda isso trará azar.

7. Horário para estrear sapatos

Comprou aquele tênis novo lindíssimo para estreá-lo naquela balada incrível à noite? Esqueça se você estiver no Japão, ao menos que queira ganhar uma certa dose de má sorte em sua vida.

8. Assobiar à noite

Os japoneses morrem de medo quando alguém assobia perto deles à noite. Se puder, tente fazer isso para ver como realmente acreditam e ficam incomodados. Fazendo isso, estaria chamando cobras ou fantasmas. É melhor evitar né ...

9 – Deitar após comer

Cuidado! Se você deitar após comer pode se transformar em um boi. Engraçadinha essa né. Mesmo que não vire um boi, poderá ocasionar um refluxo estomacal além de engordar mais um pouquinho (deve ser por isso que são tão magrinhos ... risos).

Ainda existem inúmeras superstições, mas hoje, me limitarei à essas para não virar uma enciclopédia.

E você? Tem alguma superstição? Deixe nos comentários?

Beijos e até mais,
Thais Fioruci

 



Referências:







sábado, 6 de maio de 2017

A MENINA DOS SAPATOS VERMELHOS DE YOKOHAMA



Olá leitores,

Quem já visitou ou mora próximo da cidade de Yokohama (assim como eu), sempre se depara com estátuas, pinturas, chaveiros, decorações ou lembrancinhas com um par de sapatinhos vermelhos. Pelas ruas, circula um ônibus turístico chamado “Akai Kutsu” (traduzindo sapatos vermelhos) e existe até uma canção muito famosa entre as crianças, escrita por Ujou Noguchi, que leva o mesmo nome. Muito coincidência, não? Aquilo sempre me intrigou, afinal, qual a razão de, Yokohama, uma cidade portuária e com uma paisagem linda, ter como “símbolo” da cidade um par de sapatos vermelhos? Achava isso tudo muito estranho, deveria ter um motivo muito forte, mas qual? Fui pesquisar e enfim encontrei a resposta. Já adianto, a história é triste, mas resolvi compartilhá-la com vocês.


Calçada em Yokohama com o desenho dos sapatinhos vermelhos


A dona dos famosos sapatinhos vermelhos que tornou-se um dos símbolos da cidade e inspirou a música de Noguchi, foi a jovem Kimi-chan, como ficou carinhosamente conhecida. Kimi Iwasaki nasceu em 1902 na cidade de Fujimimura, província de Shizuoka, atualmente Shimizu Miyakami, e faleceu com apenas nove anos de idade. Kayo, sua mãe, casou-se com Shiro Suzuki. Decidiram então se mudar para a região de Hokkaido, no norte do Japão, para trabalhar como fazendeiros. Como a vida na fazenda naquela época era muita dura, Kayo preferiu deixar Kimi-chan, com apenas três anos de idade, aos cuidados de um missionário americano, Charles Huit, e sua esposa.

A vida não foi nada fácil para o casal que trabalhava muito dia após dia. O irmão de Kayo, que morava em Shizuoka, mudou-se para Hokkaido na tentativa de ajudá-los, mas acabou falecendo por excesso de trabalho. Algum tempo depois, um incêndio destruiu a casa onde moravam e então resolveram recomeçar a vida mais uma vez em Sapporo, capital de Hokkaido. Shiro conseguiu um emprego na Hokumei Shinpo, empresa jornalística, onde conheceu o poeta Ujou Noguchi, seu colega de trabalho. Ao ouvir as diversas histórias do casal, inclusive a de como a filha deles deveria estar feliz vivendo na América com os Huits, decidiu compor a canção.

Enquanto Kayo vivia na doce ilusão de que sua filha estaria feliz do outro lado do mundo, Kimi-chan jamais havia pisado no navio que de fato a levaria para a América. Quando os Huits encerraram sua missão no Japão e decidiram retornar à sua terra natal, Kimi estava com tuberculose. Foi deixada aos cuidados do orfanato metodista Toriizaka Kyokai, em Tokyo, mas acabou falecendo em 15 de setembro de 1911. Seu corpo foi sepultado na lápide de Toriizaka Kyokai, no Cemitério Aoyama Reien, em Tokyo, e está aberto para visitação pública.

Kimi Iwasaki tornou-se um símbolo da criança desfavorecida e por isso diversas homenagens são realizadas. Em novembro de 1979, no Yamashita Koen, em Yokohama, foi erguida uma estátua da “Menina dos Sapatos Vermelhos”, olhando para o mar, como se estivesse esperando a chegada do navio que a levaria para a América. 





Uma curiosidade: Existem pelo menos oito estátuas de Kimi-chan no Japão e uma nos Estados Unidos no Porto de San Diego.

Obrigada por ler,

Abraços,
Thais Fioruci










Referência:
Revista Alternativa. Edição de 30 de Agosto de 2012