Image Map
Mostrando postagens com marcador Trabalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trabalho. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de agosto de 2017

COMO FAÇO PARA TRABALHAR NO JAPÃO?

Olá pessoal,

confesso que esse é um assunto que não gostaria de abordar mas, diante da atual situação econômica que o Brasil enfrenta, tanto eu como comunidades de brasileiros morando no Japão, recebemos diariamente perguntas de como vir trabalhar em terras japonesas.

Ao mesmo tempo que me sinto feliz, pois as pessoas estão dispostas a fazer algo para mudar sua situação atual, fico muito preocupada. Pelo que leio, acredito que a grande maioria pensa "quero morar no Japão, só basta comprar a passagem e fazer as malas", e gente não é bem assim, antes de tudo é necessário um visto e que fique bem claro PESSOAS ILEGAIS NÃO ENTRAM NO JAPÃO. O controle é muito grande e já cansei de ouvir casos de pessoas que moram aqui há décadas e por um simples vacilo (esquece de renovar o visto ou está aqui porque é casada/o com um descendente mas o marido/esposa já não mora aqui há anos) e é convidado/a a se retirar em um curto prazo.

Mas, quem pode vir trabalhar no Japão afinal?

- Apenas os descendentes de japoneses até a terceira geração, assim como suas esposas e filhos. Como os filhos de sanseis (terceira geração) serão portanto a quarta geração (yonsei) esses só poderão entrar antes de completarem os 18 anos;

- profissionais que atuam em uma empresa em solo brasileiro e que serão transferidos para uma unidade no Japão;

- Professor, artista, atividades religiosas, jornalista, investidor/gerente de negócios, serviço legal/contador, serviço medico, pesquisador, instrutor, engenheiro, especialista em humanas/serviços internacionais, trabalhos qualificados, entretenimento que desempenharão alguma atividade em solo japonês.

Todos esses itens litados são passiveis de análise pelo Consulado do Japão em sua região e ela portanto decidirá o período que permanecerá por aqui. O período é muito relativo. Um exemplo, meu marido que é descendente logo de primeira conseguiu um visto com duração de 3 anos, eu, obtive apenas visto de um ano, e assim, durante os três primeiros anos, todo ano, tive que renovar. Dizem que é por eu não ser descendente. Não sei. 

E em todos esses casos é necessário apresentar uma carta da empresa que está te contratando, pois ela garantirá sua estadia (conforme os termos do seu contrato de trabalho) e fornecerá o Certificado de Elegibilidade, documento exigido pelo Departamento de Imigração do Japão dizendo que está apto a migrar para o país. 

Muitos já me perguntaram: "Posso ir com visto de turismo, e quando chegar ai, tentar conseguir emprego e depois trocar de visto?". Geralmente respondo, você pode conseguir mas a empresa que for te contratar terá que dar bons motivos para a imigração conceder a mudança de visto. Vi apenas um caso assim e o rapaz trabalhava na área de TI (ou seja, segmento que sofre com falta de profissionais qualificados). Agora, em relação à serviços de fábrica, nunca vi, até porque existem desempregados por aqui.

Ah ... aproveitando para responder outra dúvida que recebo. Pessoas que exercem uma determinada função no Brasil, advogado/a um exemplo, e querem vir ao Japão (são descendentes ou casados com um), mas desejam continuar nesse mesmo trabalho. Serei bem sincera tá .... a não ser que venha transferido de uma empresa já com uma função especifica, mesmo que tenha faculdade, pós enfim .... a realidade aqui é fábrica. Para conseguir validar um diploma é uma luta (a começar pela barreira do idioma). É impossível? Não ... mas terá que batalhar muito. 

Após um tempo de Japão, percebo que muitos brasileiros começam a estudar para fugir das fábricas (sendo bem sincera), e conseguem serviços melhores como tradutores, helper (um campo bem amplo por aqui), atendentes de lojas ou tornam-se comerciantes. 

Agora, uma última dica: antes de falar EU QUERO TRABALHAR NO JAPÃO, pesquise muito, veja como é a metodologia de trabalho, como acontece a dinâmica, os horários, o calendário. Se pergunte.... será que estou disposto à isso? Será que suporto fisicamente, sabendo que 99,9% dos trabalhos são manuais? Será que terei problemas com o clima e as temperaturas? Analise a proposta (caso for descendente e virá por agência) e tome muito cuidado para não cair em um golpe. 

Pergunte a si mesmo, pois a realidade aqui é bem diferente do Brasil. E não pense, que só por ser um país de primeiro mundo que tudo é mil maravilhas e funciona corretamente.


Uma tipica fábrica no Japão


Bem, desculpe o desabafo mas é porque realmente fico preocupada. Essas são apenas considerações do que vi e vivi nos anos que moro no Japão. Pense bem antes de tomar essa difícil decisão e boa sorte.

Espero ter ajudado.

Abs
Thais Fioruci 








quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

10 COISAS QUE O BRASIL FAZ MELHOR QUE O JAPÃO!



Olá pessoal,

Estava vendo um vídeo do canal Amigo Gringo em que ele listava coisas que o Brasil faz melhor que os Estados Unidos. Sei muito bem que temos (me incluo nele) aquele “complexo de vira lata” no qual achamos que o Brasil é o pior país do mundo, que tudo é uma porcaria, que nada funciona direito, que a corrupção avassala o país, que os políticos são verdadeiros ladrões. Sei de tudo isso e concordo até certo ponto, mas morando fora há quase 6 anos, posso dizer com certeza que sim, o Brasil tem seus defeitos mas também tem muitas qualidades, como qualquer outro país do mundo. Quando você mora fora, nos primeiros meses e anos, compara tudo com seu país de origem e lógico acha tudo infinitamente melhor. Mas, passada a euforia da chegada e algum tempo depois, quando você se vê não mais como um “turista” e sim como um residente, passa a observar mais profundamente, com um olhar mais crítico. Daí percebe como a vida acontece naquele país que apesar de ser de primeiro mundo, também tem seus problemas.

Então, pensando nesse aspecto, comparei e listei 10 coisas que o Brasil faz melhor que o Japão. Já estou prevendo muito “mimimi”, mas é minha opinião. Se você não concordar com o que leu e quiser deixar um comentário CONSTRUTIVO, seja bem vindo. Vamos lá:

1 – Sistema de saúde

O sistema de saúde aqui funciona da seguinte maneira: o cidadão pode optar pelo seguro saúde oferecido pela prefeitura da cidade (o valor é calculado conforme seus ganhos anuais) ou entrar no seguro que é oferecido pela empresa onde trabalha (a empresa paga uma porcentagem que é calculado conforme seus ganhos e o funcionário arca com a outra metade). Daí, quando você for utilizar terá que desembolsar no momento da consulta mais 30% desde os honorários do médico, remédios e tudo mais que foi utilizado (ou seja, se não tiver dinheiro no dia não pode ficar doente rs). Acho um valor bem alto para a atual realidade dos salários do Japão, principalmente para quem não usa muito. E também porque esse plano não cobre certas ocorrências como gravidez e câncer. Sem falar que (isso é minha opinião que fique bem claro), acho os médicos japoneses bem despreparados, com idéias atrasadas e muitos sabem lidar com estrangeiros (como se fôssemos diferentes). É por essa e outros que quando algo mais grave acontece corro para meu amado Brasil. Sim, nossos dentistas e médicos são muitos melhores. Ah ... e antes que comecem a criticar que estou comparando com os planos particulares no Brasil, aqui não tem atendimento gratuito não ... e muito menos remédios grátis.

2 – Máquinas para verificarem preços em supermercados

No Japão tudo funciona muito bem, é verdade. Todos os produtos nos supermercados têm seu respectivo preço na prateleira, mas às vezes acontece de achar um produto fora do seu devido lugar e você querer levá-lo, ou simplesmente está sem o preço na prateleira e é nessas horas que sinto muita saudade daquelas máquinas de consulta que temos nos mercados brasileiros. Porque se não sei o valor e nem o local correto do produto, terei que perguntar para a atendente que apesar de muito simpática vai levar pelo menos uns 10 minutos para voltar e quase sempre sem a resposta certa.

3 – Fila exclusiva e caixa rápido

Dificilmente verá filas no Japão! Aliás, até esquece que elas existem e quando volta ao Brasil, leva um susto. Na mentalidade e hierarquia japonesa, você como cliente não pode perder um minuto do seu tempo esperando. Mas, elas ainda não estão extintas e quando freqüento supermercados muito grandes, elas são inevitáveis. Tem alguns caixas que nós mesmos passamos e empacotamos nossas compras, mas não são todos que querem ou sabem lidar com a tecnologia. E nessas horas penso que sim, deveria ter um caixa para uma quantidade de volumes menores, como no Brasil, e um caixa preferencial para gestantes.

4 – Frutas, verduras e legumes

Certamente é o que mais sinto falta da variedade de frutas, verduras e legumes. Aqui além das frutas serem caras, são sazonais. Existem poucos tipos de verduras e legumes e quando o inverno chega, eles praticamente desaparecem das prateleiras. Nossa, não imagina minha felicidade em ver um morango, uma melancia ou quando avisto uma couve-flor!

5 - Televisão

Além de ter a barreira do idioma, acho a televisão japonesa um pouco “infantil” e até um certo ponto censurada. É como se eles recebessem um “script” com todas as noticias “polêmicas” que deverão ser veiculadas. E durante o dia, os noticiários repetirão as mesmas reportagens. E pra mim, quando o assunto é grave, como a radiação de Fukushima, por exemplo, eles abafam e não falam abertamente sobre o assunto. E outra coisa chata, tem muita comida kkk. Você liga a televisão às 5 horas da manhã e os apresentadores já estão comendo. 



Previsão do tempo de todas as manhãs. Fofo, né! Mas tem hora que exageram nas fofurices


6 – Legislação do Trabalho

Pra mim, esse tópico juntamente com o tópico do sistema de saúde, é o que mais me irrita. Certamente o Brasil está a anos luz nesse quesito. Apesar de ser um país de primeiro mundo, ainda tem muita coisa errada, uma sociedade presa à pensamentos antigos e que aparentemente não quer mudar. Nesse cenário, uma legislação que rege os trabalhadores é praticamente inexistente. Vamos ver agora, depois de muitas mortes por excesso de trabalho e com a baixa taxa de natalidade, o primeiro ministro japonês está tentando mexer na legislação para tentar beneficiar o trabalhador. 

7 – Jeitinho Brasileiro

Os japoneses sabem muito bem o que fazer para atingir o sucesso em qualquer atividade. Sempre muito dedicados, organizados, metódicos e precisos, mas e se algo não acontece como o planejado? Na hora do aperto, eles não sabem como lidar com aquela situação inesperada, e só nós, com nosso jeitinho brasileiro, sabemos resolver.

8 – Produtos de higiene pessoal

Eu sou a louca dos produtos de higiene pessoal brasileiros!!! Tenho estoque em casa! Os produtos do Brasil como pasta de dentes, sabonetes em barra, desodorantes (que aqui são caríssimos e não seguram nada) e higiene intima são infinitamente melhores que os daqui. 

9 – Lâminas do Mc Donalds

Quantas vezes almoçava no McDonalds e ficava lá, rindo sozinha, com aquele papel que colocam na bandeja. Sempre engraçados e criativos! Agora, no Japão, a lâmina sempre informa sobre processos seletivos e convida jovens para trabalharem na rede. Sabemos que o país sofre com a falta de mão de obra, então essa é uma forma de propaganda também.




10 - Lançamento de filmes

Por que Deus os filmes demoram tanto para chegar aqui? Às vezes, já até saiu de cartaz no Brasil e está sendo lançado aqui. Sem falar que a maioria dos filmes no cinema são sempre de produção nacional, e apenas alguns são do exterior.



Esses foram os meus tópicos. E você que morou ou visitou o Japão, concorda comigo? Deixe nos comentários.

Até mais,
Thais Fioruci






sexta-feira, 7 de março de 2014

HELLO WORK – AS AGÊNCIAS DE EMPREGO NO JAPÃO



Olá,

Você sabe o que são as “Hello Work”? Bem, quem trabalha ou já trabalhou aqui sabe do que estou falando. As “Hello Work” (sim, o nome é em inglês! Escreve-se em katakana ハローワーク e os japoneses pronunciam harōwāku) são as Agências Públicas de Emprego no Japão. Espalhadas por todo o país, elas ajudam os desempregados à buscarem uma recolocação no mercado de trabalho e também providenciam um auxilio financeiro para que possam viver nesse período. 


Bem vindo à Hello Work!


Logo após o desligamento da empresa, o desempregado deverá procurar a agência mais próxima da sua casa e dar entrada no processo. Depois, terá que comparecer mensalmente para comprovar o que eles chamam de “estado de desemprego”, ou seja, você está procurando serviço, mas ainda não conseguiu. Existe uma ficha que o trabalhador precisa preencher com os dados das empresas em que fez contato, assim como, declarar caso tenha feito algum serviço temporário. Feito isso, o pagamento é depositado na conta bancária em um período de 7 dias. Esse direito também é extendido aos estrangeiros que contribuíram por mais de 6 meses com esse seguro.

Para procurar emprego, basta ir até a agência e acessar o sistema (integrado no país inteiro), para buscar uma vaga. Mas, se não dominar informática ou entender o anúncio, todo escrito em kanjis, pode falar com um dos atendentes. Eles irão verificar as oportunidades disponíveis e quais se encaixam melhor no seu perfil. Como muitos estrangeiros não dominam a língua local, alguns escritórios disponibilizam um tradutor, geralmente em português/espanhol, para ajudar no esclarecimento das dúvidas.



Uma das várias agências espalhadas pelo país


E uma coisa que achei interessante. Aqui, qualquer trabalhador, conforme já dito, que tenha contribuído no mínimo 6 meses, tem o direito de receber o seguro desemprego, tanto no caso de desligamento por parte da empresa quanto de pedido de demissão! A única diferença é que, quando a pessoa pede demissão, ela terá um período de suspensão de 3 meses. Cumprido esse prazo, receberá o auxilio normalmente.

Na minha opinião essas agências estão realmente interessadas em ajudar o trabalhador na busca por uma recolocação no mercado de trabalho. Também promovem cursos profissionalizantes, organizam palestras e oferecem cursos gratuitos de japonês para estrangeiros. E se a pessoa que está recebendo o seguro conseguir um emprego e desistir dos pagamentos, ela ainda ganha uma bonificação em dinheiro!


Quadro de avisos


Realmente, notei uma diferença imensa com o serviço prestado no Brasil. Lembro-me bem como era: madrugar na fila do Poupatempo para pegar uma senha e ficar lá até às 13h para ouvir a atendente dizer que não tinha uma vaga no meu perfil. Difícil né! Mas, espero que as coisas tenham melhorado por ai.

O que acharam desse sistema? Dúvidas, comentários ou sugestões para enriquecer o post, escreve abaixo que ficarei muitooo =)


Abraços
Thais Fioruci